quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Querer-te

Eu te quero!!!
Sentir-me em teus braços
Ter-te em meus braços
Sussurrar palavras em teu ouvido
Sentir tuas mãos a me acariciar
Roçar meus lábios nos teus
Ter-te ao alcance das minhas mãos
E dos meus desejos.

Mas, não “te quero”
Não te quero assim!
Não te quero “meu”!
Sei que também não quer
Ser meu, assim.

Quero-te livre
No ir e vir pra mim
Quero-te solto.
Caminhando pela vida.

Mas sei que te querer
É te perder.
Mesmo que não te queira “meu”
Irei perder-te
Quando sentires que te quero.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Algo se quebrou

Ele acordou e sentiu o cheiro novo que está no ar. Um cheiro desagradável, cheiro de perda, de coisa que quebra. Procurou em todos cantos do quarto e da casa, mas não achou. Não achou o que provocará aquele cheiro, mas o sentia e cada vez mais intenso e por isso sabia que algo de errado acontecerá...

É bem provável que as coisas já estivessem acontecendo há tempos, mas hoje, apenas hoje os seus sentidos foram aguçados e ele foi capaz de perceber. Não sabe onde, porquê e nem mesmo o quê aconteceu, mas aconteceu!!! E o acontecido modificou aquilo que, para ele, era comum, rotineiro, já fazia parte do seu cotidiano. É o caminhar da vida, os movimentos que ela realiza. E ele sempre soube, que mais cedo ou mais tarde, alguma coisa iria acontecer. E até estava se preparando para isso, só não esperava que fosse assim, tão repentinamente (Será mesmo que foi repentino? Ou ele apenas viu o que queria ver?).

A separação seria inevitável! Mas para ele seria antes física e somente depois, de longo tempo, afetiva. Infelizmente não foi isso que ocorreu! Os “viveres” já não são os mesmos e a cada encontro, ele sente que não são mais como aqueles de poucos dias atrás. As perguntas não são mais respondidas com a mesma atenção e sinceridade, por vezes são até ignoradas. Dividir??? Esse verbo não é mais conjugado nas relações, em muitas delas.

Ele se martiriza e procura, em cada ação passada, o que poderia ter desencadeado essa quebra. Busca inútil, pois não há! Nada que ele fez ou deixou de fazer provocou isso e nada que ele faça pode alterá-lo. É a vida tomando seu rumo, são as novas experiências e sensações sendo vividas, por ambos os lados. Mas... Talvez isso não passe de um delírio, de uma sensação deturpada, talvez o cheiro seja apenas o gás que está ligado.